Eu não conto pra ninguém

eu não conto pra ninguém mas tem dias que a cidade me atravessa como se eu fosse de vidro e continuo porque continuar é o único talento que eu treino entre trabalho incertezas, futuro eu guardo um silêncio que não é força é cansaço organizado e eu queria dizer que dói menos mas dói só que aprendi a andar e mesmo assim amar pra mim não é promessa é alguém que percebe que estou quase caindo e não transforma isso em espetáculo fica e me deixa ser frágil sem me diminuir Ana Paula Coelho

Aviso luminoso

sou aviso luminoso
na esquina
que ninguém olha
sou bilhete esquecido
no bolso da calça
guardando um perfume
sou wi-fi instável
procurando conexão
no subterrâneo do metrô
sou chuva fina

no varal do vizinho

atrapalhando certezas
sou moeda no fundo da bolsa
promessa pequena
de café compartilhado
sou janela acesa
às três da manhã
conversando com o escuro
sou quase coragem

quase lágrima

quase riso
sou esse jeito torto
de sobreviver bonita e dizer
mesmo baixo:
fica!
Ana Paula Coelho


OBS: Retomando as postagens no blog, minha construção poética mudou um pouco e ainda pode variar conforme minha onda, mas nada que afete minha essência.

Não quero me aprofundar no motivo que me fez parar de escrever aqui. Parei em 2020 e só voltei agora em 2026 porque muitas coisas aconteceram... As piores: perder minha tia e minha mãe para a pneumonia. Só Jesus pode me curar e me fazer continuar. Eu creio, e vejo isso acontecer a cada dia que desisto de desistir.

Att,
Ana Paula Bernardo Coelho